quinta-feira, 21 de julho de 2011

Árvores da Evolução

A utilização de uma árvore como ilustração para exemplificar a evolução ao longo do tempo é comum e muito pertinente. Essa imagem demonstra bem o como o processo evolutivo não leva simplesmente a modificação, mas também a diversificação, e sua análise com calma ajuda a derrubar alguns mitos. Olhe pela a janela e observe uma árvore na rua. Se não tiver como, facilito sua vida, olhe para a figueira da foto a seguir.



Seu tamanho impressiona, com seus galhos intensamente ramificados, cheios de folhas, todos tendo como base o tronco central robusto. Porém, essa figueira não foi sempre assim: um dia ela foi uma pequena semente, que germinou dando origem a uma pequena planta, com uma única folha. Essa pequena folha aos poucos foi gerando novos ramos, que geraram outros, e mais outros, até que ao longo dos anos se tornou essa maravilha aí de cima. Com a imensa diversidade da vida encontrada atualmente ocorreu o mesmo: no início era somente uma única espécie (a primeira folha a sair da semente), que ao se modificar gerou novas linhagens (os novos ramos). Essas linhagens, por si, vão se ramificando cada vez mais. Já podemos retirar daí um primeiro mito – ou má-compreensão – da síntese evolutiva: a evolução não se dá de forma linear, e sim se ramifica, se diversifica cada vez mais. As espécies, ao se modificarem, se diferenciam em novas variedades que seguirão um rumo diverso aos demais não diferenciados. Poderão surgir daí duas novas linhagens, dois novos ramos na nossa “árvore da evolução”. Um simples crescimento da árvore, sem ramificação, geraria algo mais parecido com uma palmeira que com uma figueira, uma imagem linear. E evolução não toma uma direção, ela é multidirecional.
Bom, retomemos nossa plantinha. Ao longo do seu crescimento, alguns ramos se tornam maiores que outros, enquanto existem aqueles que acabam por não vingar. Em um determinado momento, um ramo pode vir a cair por causa de sua fragilidade em relação aos demais, como por exemplo, quando ocorre uma tempestade. Podemos aproveitar para fazer mais uma metáfora com esse evento: a tempestade seleciona os galhos mais firmes e derruba os mais frágeis, assim como o ambiente seleciona as linhagens mais aptas ao longo do tempo. Essa é a seleção natural.
De volta a nossa figueira adulta, essa que vemos na foto, temos assim uma imagem da diversidade atual, onde as folhas seriam as espécies viventes, enquanto os galhos representariam os intermediários até chegarmos a essas espécies, mostrando as inter-relações entre as elas. Folhas de um mesmo galho são mais aparentadas, tem uma origem mais próxima, que folhas de galhos mais distantes. Ou seja, o “galho dos répteis escamados” se ramifica em alguns sub-galhos, assim como o “galho dos mamíferos”. Dentre esses sub-galhos, existe o “sub-galho dos primatas”, que contém a “folha dos chimpanzés”, a "folha do gorila”, a “folha do homem”. Em outro sub-galho, o dos felinos, existem as “folhas do tigre, da onça, do gato”. O homem está no mesmo sub-galho do chimpanzé e do gorila. Então ele é mais aparentado com eles que com o tigre, a onça e o gato. Porém, em relação às serpentes e os lagartos, que estão no “galho dos répteis escamados”, o homem é mais aparentado com os felinos.
Um segundo engano é comum quando falamos de parentesco: a confusão com ancestralidade. Parentes compartilham ancestrais. Por exemplo: não tivemos origem nos chimpanzés, e sim compartilhamos um ancestral comum com eles. Também compartilhamos ancestrais com os felinos e com os répteis escamados, assim como com qualquer organismo na Terra, porém o parentesco com eles é cada vez mais distante.
Aproveito para desmistificar um terceiro mito: o dizer que tal espécie é “mais evoluída” que outra. Todas as espécies atuais são igualmente evoluídas, sejam elas uma bactéria ou o homem. A diferença é quando sua linhagem surgiu. O galho que contêm as bactérias está mais próximo da base da árvore que o dos humanos, sendo os humanos mais derivados que as bactérias. Ambas as espécies são adaptadas, a grande questão é a quê. Na árvore, todas as folhas se mantêm, porém, cada uma no seu ramo.


A imagem de uma árvore para demonstrar a evolução é tão utilizada que até possui um nome na biologia: árvores filogenéticas. A mais famosa, conhecida como Árvore da Vida (Tree of Life, figura acima), foi criada pelo naturalista alemão Ernst Haeckel em 1876, porém com o bicentenário de Charles Darwin, o esboço de uma árvore em um de seus cadernos (figura abaixo), de 1837, tomou seu espaço.



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